por vezes a gente se depara em meio ao trabalho com coisas que nos marcam pelo resto da vida. Escrevi este release e divulguei este filme do Rogério Veloso e outros da série ICONOCLÁSSICOS do Itaú Cultural.É daqueles documentários que nos fazem chorar de emoção e compartilhar um momento único com a telinha. Foi demais.

Documentário inédito sobre Itamar Assumpção abre a série ICONOCLASSICOS

Itamar Assumpção, fonte de inspiração para Rogério Velloso na direção de Daquele Instante em Diante, abre a série de exibições de ICONOCLÁSSICOS ao público, no dia 8 de julho, em São Paulo, no Espaço Unibanco Pompéia, Espaço Unibanco Augusta e Arteplex Frei Caneca (no dia 5 é realizada, neste último, uma sessão para convidados). Simultaneamente, permanecerá em cartaz por um mês nas salas do mesmo cinema em Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Santos. Em todas as salas a exibição do filme será gratuita.

Ainda dentro do ICONOCLÁSSICOS, em agosto estreia no mesmo circuito Ex Isto, obra de Cao Guimarães inspirada no romance Catatau do poeta Paulo Leminski, apenas visto em alguns festivais como o de Gramado. Um mês depois, o público pode ver Assim É Se Lhe Parece, em que o artista plástico Nelson Leirner tem o seu universo criativo filmado por Carla Gallo. Com estreia marcada para novembro, Zé Celso está documentado por Tadeu Jungle e Eliane Cesar, em EVOÉ. Por fim, em dezembro entra em cartaz Mr. Sganzerla - Os Signos da Luz, dirigido por Joel Pizzini sobre o também cineasta Rogério Sganzerla.

"Esses artistas têm em comum a verve iconoclasta e um olhar crítico e transformador de nossa brasilidade", observa Roberto Cruz, coordenador do projeto. "Convidamos esses diretores que imprimiram um olhar autoral e souberam recriar de forma criativa a obra destes biografados, e, como resultado, temos filmes distintos entre si, mas que guardam a mesma força como documentários históricos e ensaios poéticos contundentes."

Itamar, pra começar

Para realizar Daquele Instante em Diante, Rogério Velloso - três vezes vencedor do prêmio Profissionais do Ano da Rede Globo e cuja videoarte Cidades ficou entre os 50 melhores do mundo, segundo seleção do festival alemão Internale Videokunst Preis - garimpou imagens raras em acervos e arquivos particulares. Durante dois anos mergulhou em um processo intenso de entrevistas e seleção de trechos em mais de 180 horas de gravações.

Acostumado a ter o controle da situação em seus trabalhos de publicidade e videoarte, nesse caso, o diretor se permitiu experimentar mais e se deixou conduzir sem roteiro pelos encontros com pessoas que conviveram e trabalharam com o Nego Dito. “Eu e toda a equipe percorremos a história e o trabalho de um músico cheio de facetas. Cada pessoa que conheceu Itamar conheceu um Itamar diferente”, conta Velloso. “Foi fabuloso me jogar neste caldeirão de alquimia em busca da essência desse artista.”

Aos poucos, o documentário revela a complexidade de Itamar Assumpção. Desde a dinâmica dos ensaios, a reinvenção constante de seu estilo, passando por apresentações antológicas como a do Festival MPB Shell, da Rede TV Globo, até as lembranças do artista no seu lado mais pessoal: sua paixão por orquídeas.

Muitas das entrevistas com amigos e artistas como Suzana Salles, Paulinho Le Petit, Alice Ruiz e Marta Amoroso se transformam em um descontraído bate-papo no cenário que o artista mais frequentava: a cozinha. Era ali, em um ambiente descontraído, que o músico costumava se instalar. Lembranças de Itamar lavando a louça ou cuidando das plantas da casa de um amigo, ou mesmo de um desconhecido, são levantadas e revelam um lado pessoal que dialoga diretamente com a música que ele produzia e com a sua forma rude de cantar.

Segundo Velloso, mesmo quando escritas ou compostas por outros artistas as músicas de Itamar se tornavam extremamente autorais, como se tudo o que ele cantasse fosse, de certa forma, contar ao público parte de sua história pessoal e de sua visão de mundo. Isso faz com que seja possível conhecer Itamar ao escutar o que ele produziu. Assistir ao filme de Velloso é se deixar conduzir não apenas pela trajetória do artista, mas pela sua essência, a originalidade da trajetória do artista, seu talento e inquietudes.

"Eu me via em dialogo constante com ele, me perguntava a todo o momento como ele gostaria de ser mostrado aqui, como ele via aquela história. Assim, ia me colocando na perspectiva do Itamar que eu fui conhecendo", conta o diretor. "No final, um filme que começou com arquivos, aos poucos, foi trazendo Itamar Assumpção vivo, humano, presente", comenta.

o filme tem um tumblr bem legal, vale conferir: http://daqueleinstanteemdiante.tumblr.com/